patologia do acaso, diário, 6: a inteligência inaudível das palavras

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2016, Dezembro, 20. A inteligência inaudível das palavras. O medo ergue-me porque não é suficiente abrir os olhos à manhã nova do regresso do Sol. Mas esse medo que projecta a acção, mesmo que original do desespero murado da noite e da incerteza absoluta da travessia do sono, não é agora um medo que se confunda com o medo de uma falha da razão. É um medo que exala uma estranha e descobridora quietude, um vagar pacificador que se encontra no âmago do medo do entendimento da inteligência silenciosa das palavras. Não é uma diluição vagarosa da razão que conduza a um simulacro do entendimento. É um lugar na inteligência inaudível das palavras que não está, por necessidade de tradução, ligada ao seu significado. Esse lugar recôndito das palavras levanta-me depois de abrir os olhos. Escrever é confirmar que estou de pé, ainda que não possa afirmar onde estou, mas possa assegurar que existo.

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Fotografia: Outubro de 2016.

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