a imanência do suicídio na metafísica do aquário

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caminhar é uma extensão sanguínea filamentosa do meu pensamento,

um movimento cognoscente e dilatador enquanto a palavra é pura e não reclama ser escrita

 

equilíbrio perfeito de fragmentos expectantes, palavras in corpore e corpo ad verbum

 

incandescência no sentido da densidade orgânica, obscura, do acto declarativo – existo

 

asseguro na palavra surgente do movimento de caminhar que existo,

releva deste ad unum escrever desagrilhoado da necessidade de escrever

 

o tempo é a cabeça,

é na cabeça que está o coração, o Todo expande-se da cabeça e a cabeça alimenta o coração que está dentro dela na reciprocidade do movimento do sangue

 

os enganos do Mundo refugiaram-se no coração mas o coração habita na cabeça, o coração persevera do limbo da desordem, os fluídos do caos fertilizam a luz

no abismo negro e agridoce das contracções durante a união dos viscos

 

existe uma não-existência que confirma o corpo inteiro, resistente, nessas palavras incapturáveis ao reduto de mendigar a existência na coutada atribuída

 

no movimento de caminhar toda a minha liberdade imurável se afirma no ardor das palavras que não subjugo à soberba de as fixar

 

eu sou livre nessas palavras, essas palavras são livres em mim

e o acto de pensar é o meu corpo e o seu esplendoroso limite enquanto

 

a causa e o efeito manifestam-se no preciso momento em que se dissolvem na física do movimento

 

mas existe um acto firme nas profundezas desta noite inalienável que embate, do indefinível interior, nas fronteiras do corpo

 

existe um acto que é uma forma (a letra da palavra) sobrevivente do suicídio, uma combustão do labirinto e do novelo,

um acto que derruba a metafísica e a justificação de todas as formas implausíveis de qualquer divindade,

um acto que se extingue no acto originário da palavra,

que por sua vez, na negação do aquário, do vaticínio e do seu contrário, galga a morte no abraço da morte que caminha ao lado

 

*

Fotografia: pormenor de um público cone de Natal, 28 de Dezembro de 2016.

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