a medeclina e a face da capitulação

sketchbook-072-copia

 

um certo ponto inciso de agulha, de marca oxida, no astrolábio dos graus, indiferente à altura dos astros e à pesagem do Sol,

na latitude sem versão da noite e do silêncio na cabeça,

o ponto exacto

sem o horizonte da polar no Equador

que fere quando tudo está certo na aparição escrita no acto em movimento contra o ódio que cresce das cidades e das suas caixas comuns, fora da projecção da luz do Sol,

e coincide na deformação lúcida do vidro e as raízes terrosas da carne

vencem o cristal da areia queimada, o momento de sanguínea em que o frio interpõe

um recurso de agravo ao mundo e risca pelo estilhaço a fronteira

 

as aves desertaram do céu da cidade e levaram asinhas no grito da súmula do seu voo,

acima das cabeças dos urbanos mudos na mineração colectiva,

o sono profundo que abandonou as artérias das pontes,

fora de todas as medidas da geografia

na eclosão da manhã, a meio da tarde, no umbral da noite, a meio do mar e à face do desmoronamento da razão

ou da parede coberta pelos pontos irregulares da tinta de areia revelados pela sombra declinante da luz artificial

quando se embate nos outros nomes da face oculta do reverso substitutivo da capitulação

 

a medeclina experimental perturba a superfície do lago, afoga a montanha ao invés e o nevoeiro eterno da sua coroa

 

*

Ilustração: dos diários gráficos, tinta-da-china, 1998.

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