fado para o Fado Cravo

 

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era o sol cego do meio-dia

e nas minhas mãos mordia

o cão vadio da tua ausência.

rasgam as mãos esses dentes

e fora das veias dormentes

a noite ensopa a minha carência

 

era a lua naquele céu falso

e o frio da noite o cadafalso,

a faca no coração gelado.

eu queria só o teu rosto

o fogo do meu desgosto

nos contrários do fado

 

era uma estrela sozinha

contra o sol, uma luzinha,

firme na poeira do universo.

falta desse amor agora

a face destruída da demora

o tempo caído e disperso.

 

*

Fotografia: guitarra, 2010.

 

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