fado para o Fado Cravo

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era o sol cego do meio-dia
e nas minhas mãos mordia
o cão vadio da tua ausência.
rasgam as mãos esses dentes
e fora das veias dormentes
a noite ensopa a minha carência

era a lua naquele céu falso
e o frio da noite o cadafalso,
a faca no coração gelado.
eu queria só o teu rosto
o fogo do meu desgosto
nos contrários do fado

era uma estrela sozinha
contra o sol, uma luzinha,
firme na poeira do universo.
falta desse amor agora
a face destruída da demora
o tempo caído e disperso.

 

*

Fotografia: Guitarra portuguesa, Jorge Muchagato, Agosto de 2010.

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