poema de estarmos

para a Catarina Verdier e o Miguel Moreira, o poema novo do dia 20 de Março de 2016

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somos feitos de corpos-terra, não dormimos sem poemas novos,

colamos escritos na escuridão, semeamos na obscuridade,

amamos adiante da condição, na terra nova, encontramos as estrelas da noite nos dedos,

choramos nos risos dos olhos e depomos nas mãos

os segredos-palavras que abrimos em abraços salvando os degredos

da distância onde nos encontramos, porque súbitos podemos nascer de ovos,

beber a cor da tinta, comer o traço do grafite, dormir sobre o papel, pintar o cabelo,

cantar sobre o vinho ou estar no irredutível do silêncio de apenas se estar

 

os corpos-terra de que somos feitos têm as feridas dos poemas novos, sofrimento-liberdade,

nós e a palavra só

 

*

Fotografia: Catarina Verdier, de costas para o sol, óleo, 2001.

 

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