quando – primeira divagação

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é provável que tenha ocorrido algures nos átomos do ignoto, na poeira do acaso, na condenação de dois olhares, no uno de dois corpos,

um erro,

que eu inteiro seja um erro, dado que é um erro entender-me um erro,

pensar até ao risco da decisão da parede e da contra-decisão

 

o pior é a noite, a trégua

vencida da noite, ainda que as contas estejam pelo menos justas porque certas não sei se estão,

quando a terra fica «de costas para o sol» e a guerra cessa sob o peso

da deserção ou do abandono

 

não é verdade inteira que no cansaço desta pulsão de morte eu queira morrer,

quero apenas dormir um intervalo da morte, um descanso dos danos

 

quando fizer a pé a estrada da foz, sob a álea de árvores, quando for na praia, quando for no mar

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Fotografia: Catarina Verdier (n. 1979), de costas para o sol, óleo sobre tela, 2001, pormenor e vista geral.

 

 

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