«trago uma rosa vermelha»

01

 

és a taça vim bebê-la

porque é noite e eu te procuro

nas rosas vermelhas

onde rasgo as mãos e descubro

que ter a tua voz é perdê-la

 

és a noite vim bebê-la

porque a tua solidão é a minha fronteira

nas rosas vermelhas

em que firo o pescoço e como a poeira

onde ter a tua voz é perdê-la

 

és a ferida vim lambê-la

mas deitei na língua pedras de sal

e os espinhos das rosas vermelhas

não ferem mais

o caule vivo do roseiral

 

és a noite vim bebê-la

 

20 de Março de 2016

*

«Trago uma rosa vermelha», primeiro verso do poema do fado Rosa Vermelha, de José Carlos Ary dos Santos, musicado por Alain Oulman, no disco Cantigas Numa Língua Antiga, editado em Abril de 1977. Uma primeira versão deste fado foi gravada em 1970 e publicada na reedição em compact-disc do disco Com Que Voz, em 2010.

*

Rosa Vermelha, versão de 1977, com Fontes Rocha (guitarra) e Martinho d’Assunção (viola).

*

Rosa Vermelha, versão de 1970, com Fontes Rocha (guitarra) e Pedro Leal (viola).

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Ilustração: dos diários gráficos, stencil, 1998.

 

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