Amália

20a - Cópia

 

vem comigo, depois das rosas encarnadas,

quando o sol, na salvação do horizonte, estiver a morrer

e a noite, devagar, crescer desabando sobre o mundo,

abandonar os passos na areia, à beira do mar,

à beira do mar que canta como tu cantas a ferida do arbítrio

da triste beleza da terra no eterno retorno das marés

do mundo sob a lua da demora

 

vem comigo, depois das rosas encarnadas,

no tempo em que tinhas a idade que eu tenho agora,

quando a vida é a morte mudada em pequenos nadas

que o som e a força do mar redimem na guerra dos minerais,

vem comigo, depois das rosas encarnadas,

abraçar a mentira da fortuna de nos termos desencontrado

 

dá-me a mão, vem, vamos molhar os pés no mar,

gostar o sal no vento, ferir as mãos bem fechadas

nos espinhos das rosas vermelhas encarnadas

 

 

*

Fotografia: Estoril, Fevereiro de 2010.

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