quando – terceira divagação

Cópia de 15-01-2011 028 - Cópia

 

o silêncio, o corpo sequioso fora de mim e a seca respiração da sua fome,

cingem-me o pescoço de abandonos e deserções;

cortam-me os pulsos, quando a noite e o chão sem terra coincidem

no veredicto exarado na omissão das pressuposições

que não sabem se eu estou vivo ou morto, se tenho fome ou sede,

se reconheço as partículas da luz sob a capa da cal fendida pelo tempo

 

pressupor é desabrigar à sorte

 

um dia, quando eu passar pelas árvores da estrada da foz e a luz for

traços indistintos a dissolver o mundo na direcção do fim;

quando a areia da praia aceitar o meu corpo e o seu cansaço

no sono que me chama, na maré exangue que me disperse a gravidade,

um dia, esse dia de razões mais denso do que a noite, nessa data,

quando eu no fim existir e cessarem os pressupostos

 

a fronteira incerta do mar avançará um pouco mais

e serei guardado de me encontrarem, quando

 

*

Fotografia: Estoril, 2011.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s