quando – última divagação

Cópia de 15-01-2011 021 - Cópia

o meu movimento cessou, consumam-se acontecimentos dentro da cabeça e não alcançamos

a maior parte desses factos, mas essa palimpsesca narração indecifrável ocorre, sabemo-lo,

mas não a conseguimos ler

 

abri a vereda do fim e chegou o momento de ver as contas, sem medos nem delicadezas, pruridos ou susceptibilidades,

de percorrer as parcelas no papel que o tempo ainda não acabou de destruir, somar, subtrair, destruir, mas sobretudo dividir,

as parcelas a dividir são o preço a pagar, e eu, na decisão, já não estou nessas contas,

nada me é devido,

mas quero que a divisão seja feita e cada um pague a si mesmo o que deve;

ao precipício destas decisões, em todas, está vinculado esse pagamento

 

quando eu começar a existir cessarão todos os pressupostos,

(os teus pressupostos, principalmente, porque é tua a culpa do erro,

e agora não tenho tempo nem forças para te explicar as razões do erro,

essa conta não me pertence)

(tenho intervalos em que vacilo e choro, todavia a pedra negra da decisão, imóvel, permanece intacta)

e ninguém verá o meu corpo desabitado

*

Fotografia: praia, 2011.

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