a esplendorosa omissão das aves mortas

Durer_1512_NGA_Albertina_Viena

as esplendorosas aves mortas

no recôndito assombro da pele, no desejado seu odor – tudo imaginado até à faca, e sem Inverno

(quando cair o Inverno – a minha expectativa ia morrendo no ar sem ti em que te respirava e endurecia até à dor e secava a língua nos segredos do efabulado corpo que antevia

nos pormenores da beleza animalesca do teu rosto)

(tens medo de envelhecer, eu sei que tens, mas eu não te abandonarei)

o segredo nas veias da respiração

sanguínea da manhã – nunca chegou essa manhã nas nossas bocas,

nem sequer o risco; tudo ficou resumido numa incomensurável omissão onde morreu o Inverno e se diluiu o esplendor das aves mortas

*

Imagem: Albrecht Dürer, Left Wing of a Blue Roller, ca. 1500 ou 1512, Viena, Albertina Museum. Fotografia: National Gallery of Art.

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