{ Maio, a primeira noite de Maio }

01b

é Maio, a primeira noite de Maio, maia amarela início

quero-te

depor sobre o teu corpo nu

(ainda imagino o teu corpo, ainda respiro fundo, à distância da língua, o cheiro da tua pele, o odor violento do teu segredo – não chegámos a saber-nos,

e ainda me dói onde não fomos – a dor do excesso por ausência nunca seca,

nem cessa o imaginário das inacabadas histórias de ser que nunca tiveram corpo)

as flores da maia do primeiro gozo da terra

lânguida do calor do Sol

a tua face, olho-a agora, olho-a agora ainda,

o desenho e a modulação da tua face onde vive uma perfeição cheia de soberba legítima,

uma perfeição igual à terra da tua origem

a tua face a tua face

onde vivo em fome e sede

a tua face

a tua face sem fim

1 de Maio de 2016 e madrugada de 25 de Maio de 2017

*

Fotografia: teiadesign10.blogspot.pt

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