quem na minha cama

DSC01160 - Cópia (3)

 

quem acordará dos seus gestos, depois da travessia, na minha cama;

quem lançará com tempo o fogo nos meus ombros despidos do sono:

quem terá morrido sem me ter beijado no peito o valor da derrama;

quem deitará água sobre o barro cru da carne restante do meu trono

 

à fome se iguala esta ilha maldita que dia e noite pensando se inflama;

este chão vazio e seco, esta terra, anterior à pele em que me desmorono;

esta densa noite fora da faca do desejo que sorrindo me golpeia e clama

essa dor depois da fome que já dor não é e onde me equaciono

 

quem espargirá sobre mim o secreto e final incenso da chama,

o áulico pó da luz visível do diamante, a sombra do cristal do carbono;

quem acordará da sua noite e dos seus gestos na minha cama,

quem profanará o eremitério do meu negro e exangue abandono

 

*

Fotografia: 2016.

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