o sangue

Sketchbook_06

 

está desde o sangue na cama daquela casa no rossio da aldeia, exarado o veredicto;

belo e selvagem como as veias das heras na esperança velha das paredes em pedra viva,

desenhada a condenação na perfeita letra do auto; mas os espelhos o que são é a dor ou é a culpa;

não conta ao jogo a omissão da acalmia do vento nem da perspectiva limpa do mar – ilusão

das profundezas sufocadas de sargaço, pois tem outro nome o veredicto e outro sangue a condenação;

não é vida nem é morte; bastava partir no vértice da mesa o copo e abandonar ao gume do vidro o patíbulo da razão;

e esperar a omissa verdade do espelho – não a dor, mas a culpa; não existe dor mas o nó indestrutível da culpa

porque a vida, ainda que na densa escuridão do sanguíneo arguir, é a garupa

 

29 de Maio de 2017

*

Ilustração: dos diários gráficos, tinta-da-china, papel, 2000.

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