a guerra sob os pinheiros

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uma casa de retratos perdidos, selados e esquecidos; uma casa de silêncios e de amargura;
as paredes vertiam uma certa humidade de breve alegria que o sofrimento secava;
e um dia sem aviso uma fogueira sob os pinheiros queimou
a supostavitória sobre a distância das cartas com os selos do tempo do império colonial
que o soldado que não esteve no primeiro dia do filho da terra abrasada, das areias tropicais, enviou

o filho, sem culpa que depredasse, salvou das cinzas os selos das viagens, depois do fogo
deflagrado por aquela morte antiga que a bela rapariga do tempo da fonte consumou,
num redemoinho de vingança, impotente e mudo, a meio da tarde,
e colou-os num álbum de folhas negras que o soldado da guerra enviou

morreram anos de contradições na perfeição da dança de faúlhas no ar da tarde, sob os pinheiros;
não compreendia o filho essa estranha morte do amor, como se morresse ele, que vinha do soldado
julgando nos selos salvar das chamas violentas o princípio dele que tinha acabado.

*

Fotografia: 2015, alterada em 2017.

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