eroticon VII: fogo nu

Ventana a los magueyes__1976

 

escrevo-te nu, em lençóis lavados, o teu corpo imaginado fere-me na pele expectante em fogo,
aviva todos os recantos da minha pele e do mais breve, lascivo e devasso movimento,
à sublimação repetida da insistência do tronco sobre o desejo de quanto adivinho, sob esta sede
de ti, debaixo e por cima de mim, de ambos os lados,
em acordo e desacordo, em guerra e em gozo, em harmonias e contrários, numa convulsão
de todos os sentidos da existência em rebentação,
na tensão insaciável dos filamentos nervosos dos sexos

deitei-me nu para te escrever, quis queimar-me no ar em que respiro a tua falta,
e vi-me, nesse limite sublime do desejo: sou um homem-cavalo,
firo com os cascos a terra, a um tempo gemo e relincho, grito,
incapaz de suster a minha dureza escorrente, sedenta
do teu sexo entreaberto, húmido e viscoso de mulher-égua

deitei-me nu para te comer com as palavras e arder em tanto que animal,
pois transponho o meu pensar de homem
e se todavia a linguagem me ancora à humana natureza, tudo o mais se queima,
num desespero animalesco, onde a rigidez do sexo e a fulgurante dor da sua pele presa
embatem nos lençóis lavados,
expectantes, como eu naquela fronteira, por se ensoparem de ti

 

27 de Junho de 2016

*

Fotografia: Manuel Alvarez Bravo (1902-2002), Ventana a los Magueyes, 1976.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s