eroticon XI: in corporis et anima creditur

 

do veio do cansaço onde as raízes com a última violência se fincam
e onde o fogo do pavio ensopado de azeite nunca se apaga, creio
– não com a vulgar força, pois transpus o que seja a sua definição e a sua realidade;
mas com a potência de anima et corporis
nessa manhã envolta no odor cru e veemente
dos nossos sexos adorados e comidos sem depois do amor
creio ainda mais violentamente, até ao orgasmo, nesse arbítrio sublime de crer
sem outro destino que vingue em nós senão o da manhã
quebrarei os augúrios, os vaticínios, a medida do mapa, para uma só matéria
de carne e fluídos, de boca e peito, de braços e torsos, de pernas e quadris, de pele e movimento, calor, suor e visco
quebrarei os augúrios, os vaticínios, o mapa
com a mesma vontade com que imponho à pele do sexo a tensão
da tua falta

creio
quero que oiças ferina a minha voz na tua boca
a gravar na tua língua a potência da minha crença

 

madrugada de 27 de Abril de 2016

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