eroticon XII: o êxtase fechado, o pão possível

Colchón_1927

 

abro a manhã            nu, de joelhos no chão            a pele
inflama-se num ardor de conhecimento ao contacto com o ar            nas suas substâncias puras existes enquanto
a dor centrípeta, saturada, contracta da carne do tronco descoberto            a nudez cansada da tua falta carnal            do gosto cognoscente de ti pela pele,
na impossibilidade do fogo,
vence na tensão do freio com que firo a manhã            derramar-me
é o mais perto de ti que a realidade onírica me consente
depois de exaurido o sangue

 

o imaginário de ti queima-me e reclama o precipício do corpo incandescente;
venho-me salvando neste êxtase fechado                   é o pão possível e como-o
quero viver até ao primeiro gesto desse corpo uno;
come-o também para vivermos

 

21 de Abril de 2016

*

Fotografia: Manuel Álvarez Bravo (1902-2002), Colchón, 1929, reproduzida de http://www.manuelalvarezbravo.org

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