eroticon XIV: calor

na languidez quente da tarde               penso-te               e ao sentir o odor íntimo de mim,
esse cheiro próprio mais profundo, o odor vivo do sexo é-me incompleto,
mais profundamente te imagino             o cheiro da tua pele, do teu suor, dos teus cabelos, o meu rosto, a respiração seguindo-te o pescoço, a nuca          na sede tépida da minha boca, na esponja da minha língua, na sofreguidão do olfacto
pelos recantos mais crus e violentos do teu corpo
cresço numa rigidez que vem de dentro, situada algures no interior do quadril, no percurso do sémen contraindo a matéria central dos músculos,
quero tomar-te em todas as formas em que os nossos corpos se encaixem e se contrariem, se aceitem e se debatam
e quero que gemas indefesa submissa e revoltada
numa raiva violenta e extática de prazer e de dor, de mais e mais dor a rebentar de aceitação e de recusa

 

o limite da pele e não da dor,
inundado de sangue, suspendo-me, as contracções dominam-me            a tua imagem de um avassalador poder carnal eclode na minha cabeça e jorra triunfante sobre a loucura do desejo de ti em carne

no calor de uma tarde de Junho de 2016

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