Condição e dor da escrita da história

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A grandeza da escrita da história, a sua maior e mais prazerosa realização contém em si a realidade do seu impossível e é a evidência que um historiador, consciente da pequenez da sua particularidade em relação ao geral, mais teme, o ónus mais pesado do seu ofício: o passado continua a “acontecer” sob a forma de um dado intelecto, para além da matéria testemunhal, porque nada existe imóvel e os conceitos são fluídos. O conhecimento e a compreensão necessários para a escrita da história (que tem a funcionalidade epistemológica de uma intriga no tempo e no espaço) releva, assim, do entendimento da própria vida e da condição humana – a primeira experiência de um historiador, pois a condição humana não acontece nem se cumpre acima do movimento comum, limpo e sujo, da existência.
« – Todos os homens se assemelham à sua dor – disse Kyo. – O que o faz sofrer? » (André Malraux, A Condição Humana, [1933], tradução de Jorge de Sena, Lisboa, Livros do Brasil, s.d.)

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Imagem: Jorge Muchagato, Introdução à história do século XX, colagem, acrílico e terra sobre tela, 2010.

 

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