corpo e lume um

15-01-2011 024

a tua voz guarda-me tanto…
um consolo de lã, uma força de linho, um doce feixe de ervas

o abismo da noite já não me chama, incessante, em brados silenciosos de vórtices sedutores, em cantos inaudíveis de falsa libertação…
agora a minha pele respira-te, e tu guardas-me inteiro, a voz e o corpo, e eu guardo-te inteira, a voz e o corpo,
e na cama, nos lençóis moldados pelos nossos corpos, odores e suores, olho o quarto e vejo os teus olhos verdes azulados, as feridas que o teu olhar não sabe ocultar, mas
agora estamos os dois nesse verde azulado que une o mar e a atmosfera na luz da manhã
e um dia seremos na intimidade nua toda indefesa da noite e do sono
no abandono completo do abraço para a travessia do sono

as pétalas da primeira rosa vermelha una, pintada e verdadeira,
pétalas de pele e carne húmida e contracta em movimento
na fronteira do risco e do precipício das bocas onde é a vida e é o tempo inteiro

o tempo inteiro que a física desmente e a existência que somos encontrou,
sentidos e pensamento, corpo e lume
um
 

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