«um bocadinho de mar»

15-01-2011 025 (2)

 

sim, temos um bocadinho de mar verde azulado
só nosso, que guardámos do grande oceano que é o movimento da vida,
a deslocação perfeita de uma pequena vaga, entre a calma do vento e a sedição, que fez o incomensurável acaso de nos termos encontrado;
e é por ser tão vulgar, esta existência que escrevo, entre tantas ondas que as marés desfazem na praia,
que nesse bocadinho de mar verde azulado está a abstracção absoluta do tempo
e a ideia viva do para sempre vive em nós, o invulgar, o único, o irrepetível;
umas vezes os teus doces olhos verdes azulados, outras vezes a boca e a língua, a pele gostada, as mãos na suave posse dos corpos, as essências
(o mar é o originário movimento irrepetível de tudo o que existe)
porque a duração de uma vida é a única forma possível de um singular para sempre
: o nosso bocadinho de mar no conhecimento da pele e na matéria íntima do corpo,
o nosso bocadinho de mar anterior ao destino da praia
no centro líquido da origem da vida

Fotografia [pormenor]: Jorge Muchagato, Inverno de 2011.

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