uma evidência quotidiana sem importância

Sketchbook 043 - Cópia

 

um cristal de neve no vidro a quebrar para abrir os pulsos num gesto transparente,
e depois o sangue a expandir-se, a desenhar um mapa na água quente, um simulacro de luz além das portadas,
versos longos, terna penumbra, livros fechados, o sangue a alastrar na água, entre pequenos nadas,
abrir e fechar as mãos, uma geografia de sangue, uma réstea de nudez no sol ardente

ninguém abrirá mais as portadas, nem a janela, na melancolia derradeira e tão bela do entardecer;
é a noite a portada, a noite indizível que regressa e me chama, incólume, na busca do calor, no Inverno;
o súbito halo eterno
do candeeiro que a evidência quotidiana virá acender

 

*

Ilustração: [sem título], dos diários gráficos, grafite e vieux-chêne, papel, 1998.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s