poema que não

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as pedras resvalam e eu subo as escadas, a sombra ergue uma cidade
na parede
: estanco a mão: ruínas antigas, mentiras, omissões, abandonos – cegos da claridade
que trespassa a sede,
o silêncio do vidro quebrado pela altura do sol que a rotação ilude e não meço;
esta sede desvalida de grito e de mudez
: ramos partidos rasgam-me sulcos vermelhos nos braços, não regresso,
quando subo as escadas e as pedras redondas decorrem polidas, disponho cansaço e lucidez,
passos e caminhos, invernos e queimaduras do frio, outonos e cinzas ateadas,
o reflexo do fogo celeste nos plátanos, ruas vazias sob o carvão projectado das casas,
plantas rubras desenhadas sob o aparo, a pena que vale as esperanças desoladas
na parede
no rosto
na perspectiva do oxigénio transposto
um gesto na ravina que o movimento sem explicações conduzisse
mas não

*

Fotografia: Silos, 11 de Julho de 2017.

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