o único existir eterno

DSC01138 - Cópia

para o meu filho

era do Sol um breve reflexo a arder, a luz e o calor que persigo,

no ocaso do dia; e eram os prédios e os ramos das árvores do Inverno,

a fronteira involuntária da obscuridade que tenho em mim e não desdigo;

mas tu, filho, criaste-me um Universo inteiro, o indizível vivo que prossigo,

o Uno da luz e do calor, da razão e do sentido, do único existir eterno

que é a memória dos braços, dos risos, das canções, do silêncio só nosso,

este Universo novo por ti criado, todo incluso e resumido no beijo repleto de amanhã

com que à noite, nos cabelos, te guardo a travessia do sono, e de novo a mim

me guardo da tão densa noite que é a ilha maldita de tal involuntária obscuridade;

era do Sol um breve reflexo a arder, mas incerto, na parcela de uma parede indiferente,

um piedoso intervalo de tempo, um resto de iludido não-saber, mas não a claridade

da criação absoluta por ti de um Universo novo, do único existir eterno

23 de Maio de 2017

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Desenho: António Muchagato, Fevereiro de 2016.

Fotografia: Jorge Muchagato, 17 de Fevereiro de 2017.

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